sábado, 19 de junho de 2010

O TRENTINO - BREVE HISTÓRIA

O que é o Trentino ? Onde fica ? O que é um Circolo Trentino ? O que é a Associazione Trentini nel Mondo?
Essas são algumas das perguntas que algumas pessoas fazem quando ouvem falar a palavrinha mágica: TRENTINO.
A história desse pedaço da Itália é muito interessante. O texto abaixo é de autoria de Everton Altmayer, diretor de Cultura do Circolo Trentino di Sao Paulo.

O Trentino é por excelência uma terra de encontros. Passagem estratégica nos Alpes desde a Antigüidade, a terra trentina é marcada pelo milenar encontro das culturas alemã e italiana. A região da Província Autônoma de Trento se encontra no extremo norte da Itália, em meio às montanhas Dolomitas, no início dos Alpes. Seus vales e montes encantam pelas belezas naturais e pela simpatia e simplicidade de seu povo.

O idioma predominante é o italiano, seguido do ladino (língua latina falada em Val di Fassa, Val di Non e Val di Sole ) e do alemão (ainda falado em Val dei Mòcheni e Luserna). Historicamente antigo e importante, o Trentino possui ainda consciência de sua origem gaulesa, sendo também chamado em alemão por Welsch Tirol (Tirol gaulês, italiano). Sua capital Trento fora já no período romano um importante local (Tridentum), um dos marcos da conquista romana na Gália Cisalpina.

Politicamente, a Província Autônoma de Trento se encontra unida à Província Autônoma de Bolzano (Autonome Provinz Bozen) que, juntas, formam a Região Autônoma Trentino-Alto Adige/Südtirol. A região é a porção meridional do Tirol histórico, pois até 1918 permaneceram unidas ao Tirol Setentrional (Nordtirol / Osttirol), hoje na Áustria. Enquanto a língua do Trentino é historicamente a italiana, a língua do Südtirol é o alemão, assim como no Tirol austríaco.

A Região Trentino-Südtirol é uma das áreas européias com maior fluxo turístico, num ambiente repleto de belíssimas paisagens montanhosas, de cidades charmosas e medievais e de castelos históricos. Destaca-se também na produção de bons e renomados vinhos, produzidos nos diversos vales, sobretudo no Vale do rio Ádige (principal rio da região).

Trentino foi palco de disputa entre a Áustria e a Itália, quando os Estados nacionais começavam a surgir na Europa. Foram momentos difíceis, que muitas vezes dividiam a opinião da população trentina. Principalmente por sua passagem estratégica por entre os Alpes, a região sofreu algumas guerras.

Boa parte da atual área trentina era administrada pela Igreja, sendo responsabilidade administrativa do Príncipe-bispo de Trento. A instituição do principado episcopal remonta ao século XI, quando das divisões de feudos no Império Romano-Germânico de Carlos Magno. Os nobres bávaros comandavam boa parte da região alpina, que aos poucos foi criando sua identidade histórica, principalmente com o início do que se tornaria futuramente o Império Austríaco. No século XII, os condes do Castelo Tirol ( Schloss Tirol / Castel Tirolo ) na cidade de Meran ( Südtirol ) aumentavam sua importância na região, inclusive nas áreas eclesiais de Trento e Brixen (Bressanone). A importância do condado tirolês crescerá sobretudo pelo fato de seus governantes serem da mais importante linhagem real austríaca – os Habsburg. Com a administração dividida entre a Igreja e os Condes, a região que hoje compreende o Trentino , o Südtirol e o Tirol austríaco formaram durante séculos a Confederação Tirolesa, que possuía dois governos fortes: o conde tirolês (com sede em Meran e posteriormente em Innsbruck) e o bispo de Trento (com sede em Trento); importante, mas menos influente era o bispado de Brixen (com sede em Brixen/Bressanone).

Essa organização teve durante sua história casos de disputas territoriais e políticas internas, pelo fato de os condes e os príncipes-bispos possuírem eles próprios feudatários que lhe administravam os vales. Além disso, havia comunidades praticamente autônomas, que possuíam controle total de vales e pequenas áreas (como por exemplo, a Magnífica Comunidade de Fiemme , no Trentino). Somente no século XVIII, com as invasões francesas comandadas por Napoleão, houve mudanças políticas na região. Napoleão pôs fim ao Sacro Império Romano-Germânico comandado pela Casa da Áustria e cedeu ao controle do Reino da Baviera a região tirolesa, que passou a ser chamada Südbayern (Baviera do Sul). Essa medida descontentou profundamente a população apegadas a seus valores e tradições. Incentivados pelos nobres patriotas e pelo clero, os camponeses começaram a se organizar em grupos de resistência, que culminariam com a revolta tirolesa. O príncipe-bispo de Trento se refugiou antes da chegada das tropas francesas, mas o clero (principalmente os frades franciscanos capuchinhos) se mobilizou para auxiliar a população na resistência.

A sublevação tirolesa de 1809, chefiada por Andreas Hofer surgiu com a não aceitação do novo governo e das novas idéias trazidas pela ocupação franco-bávara. Nascido na pequena cidade de São Leonardo ( Sankt Leonhard- Passeiertal ) no atual Südtirol , católico fervoroso e muito apegado às tradições de sua região, Andréas Hofer chefiou as tropas dos atiradores (em alemão Schützen , em trentino Sìzzeri ) e foi responsável pela recuperação do Tirol das mãos dos bávaros aliados a Napoleão. O governo de Viena estava sob Napoleão, mas apoiados por grande parte do clero e pelo irmão do imperador, os tiroleses organizaram tropas de atiradores, dos quais os trentinos somavam 18 mil voluntários.

Em 1809, com a conquista de Innsbruck (capital do Tirol), instaurou-se um governo provisório e de notável cunho cristão, que durou até 1810. Dos trentinos inscritos na defesa, 4 mil tombaram em batalha. Uma grande heroína da resistência foi a trentina Giuseppina Negrelli, nascida na região do Primiero . Giuseppina era irmã de Giuseppe Negrelli, renomado engenheiro e idealizador do Canal de Suez. Assim como ela, Catarina Lang de Val Gardena (Südtirol), heroicamente lutou contra a invasão franco-bávara, auxiliando os patriotas tiroleses na defesa dos vales.

O governo provisório não recebeu mais auxílios de Viena que temia a ameaça francesa. Contudo, a resistência popular foi a primeira contra Napoleão, mostrando, assim, que o militar corso não era invensível. Sem auxílio de Viena, Andreas Hofer foi perseguido, preso e posteriormente morto em Mantova, pois Napoleão (através da ocupação) apoderou-se ao mesmo tempo do Império Austríaco e do Reino da Itália. Em 1810, a área que compreende o Trentino e o Südtirol foi incorporada por Napoleão ao Reino Itálico. No mesmo ano, a Áustria entra em guerra contra a França. Essa resistência tirolesa marcou o início das baixas da França, quando Napoleão com as baixas na Rússia será posteriormente destronado. A Áustria retoma em 1813 o Trentino e o Castelo de Buonconsiglio (sede do governo eclesiástico) , laicizando o governo do príncipe-bispo e incorporando seus domínios aos do Estado do Tirol e oficialmente em 1816, permanecendo assim por mais de um século.

A Associação Trentini nel Mondo nasceu em 1957 e desde 1998 tranformou-se em uma O.n.l.u.s. (Organização Não Lucrativa de Utilidade Social).
Desde a sua fundação, a Associação constitui um instrumento de agregação para os emigrantes. A Associação trabalha com a finalidade de que os trentinos no exterior mantenham uma fecunda ligação com a própria terra de origem, com as próprias raízes culturais e sociais e possam transformar-se,ao mesmo tempo, em verdadeiros cidadãos nos países que os hospedam.
Através da atividade de informação e formação, participação, promoção e defesa social, que a Trentini nel Mondo desenvolve, seja no Trentino ou nos países de emigração, a associação volta-se sempre para a promoção de uma cultura de solidariedade entre os homens e entre os povos.
A Trentini nel Mondo tem mais de 200 Círculos associados, espalhados pelo mundo todo.

Os Círculos Trentinos não são somente lugares de encontros recreativos ou de convívio, mas são centros de ações sociais e culturais, abertos à relação e à colaboração com as instituições públicas e privadas presentes no território.
Os componentes dos Círculos Trentinos são solicitados à participarem ativamente nas atividades da Instituição local, principalmente para desenvolver ações em defesa dos direitos dos próprios compatriotas e para a promoção das diferentes culturas e línguas.
SOBRENOMES TRENTINOS
Região Trentino-Südtirol

Altmayer,Amistadi,Andreatta,Anesi,
Angeli

Angheben,
Arlanch,Armelini,Aste,Baceda,Bailo,
Baldessari,Baldo,Balestra ,Bampi,Battisti ,
Bauer,Bazanelli,Bazzanella,Bebber,
Beghella,Bellina,Benetti,Beozzo,Berlanda,
Bernardi

Bertoldi, Betta, Bettega, Birti, Boff,Bolzani,Bon,Bona,Boso,Bottesi,Bressan,Broz,
Brugnara,Brunelli,Bruni,Bruseghini,
Cadrobbi,Cagol,Cainelli,Caldara,Caldini,
Calliari,Camini,Caneppele,Cappelletti,Carli,
Carnessali,Casagranda,Casotti, Castelli,
Cattoni ,Cavagna,Celva,Cemin,Ceol,Ceola ,
Cescato ,Ceschini,
Cestari


Chiogna,Chiste ,Ciola,Clecler,Colpi,Colugnati,Cont,
Conter,Corradi, Correr,Coser ,Costa,
Cristofoletti

Cristofolini,Cucit,Dalfovo,Dalla Brida,Dallapè,Dalmarco,Dalpiaz,Danna,Datovo,Debiasio,
Degasperi,Dellai,Dell'Agnolo,
Dellago,Dell'Antonia ,Dell'Osne,Demate ,Demattio ,
Depedri,Depietro ,Devigili,Doff,
Dossi,Ducati ,Eccher ,Eder,Emer,Ettore,Ezzel, Facchini,Facinelli,Fadanelli ,Fedrizzi,Ferrai,
Ferrarese ,Fiamozzini ,Filz ,Flaim,
Foladori,Folgarait,Fontana ,Forte,
Forti

Fracaloss,
Franceschi,

Francischinel,Franzoi,Frizzera,
Froner,Fronza,Fuganti,Furlan,Fusinato,Gabrielli,
Galli,Galter,Garbari,Garielli,Gasperi,Gasperini,
Gennari,Gerola,Ghedina,Giacomelli,Giacomi,Giongo,
Giordani,Giorgi,Girardi,Girardelli,Giuliani,
Giuseppe,Gothardi,Gramola,Groblechner,Gruber,
Guarino,Gubert,Huez,Ianes,Iori,Kessler,Knolseisen,
Laitempergher,Laner,Larcher,Laurentis,Lenner,
Lenzi,Leonardi ,Leopoldino,Leveghi,Libardi,
Lolata,Lona,Longo,Lunelli,Luigi,Lupo,Lutteri,
Maccani,Magnani,Maier,Marchi,Margon,
Margoni,Martoni,Marzadro,Mattei,Maurizi,
Mazzurana,Menegatti,Mengarda,Mengon,
Micheloni,Misseroni,Mittersteiner,
Montibeller,Moro,Mosca,Moser,Mosna,
Mott,Motter,
Murara,Negri,Nicolò,Nones,Ongaro,Orlandi,
Orsingher,Pacher,Paldaoff ,Pallaoro ,
Pancheri,Panizza,Paoli,Parolari,Pasiani,
Pasqualini,Passerini,Patauner,Pecoraro,
Pedrini,Pedrotti,Pegoretti,
Pellegrini,Penner,Pergher,
Perini


Peterlini,Peterlongo,Petris,Pezzani,Piccinini,
Pietro,Piffer,Pincinato,Pinter,Pizzini,
Poffo,
Pompermayer

Pontalti,Postal,
Pompeu

Prandini,Pretti,Prevedel,Rabassi,Rauzi,
Recchia,Rigo,Rigotti,Romedi,Romeri,Roncador,
Ropele,Rossi,Rosso,Salvadori,Sartori,
Savoi,Scartezzini,Scrinzi,Seppi,Sevignani,
Sighel,Simonini,Smalzi,Spagolla,Spilzi,
Spiller

Stedile ,Stefani,Steneck,
Stenico




Stinghen,Stofella,Stolf,Strignari,Stringhen,
Suster,Svaldi,Tafner,
Tamanini





Tanel, Tartarotti, Tasin,Tezza,Tolovi, Tomasi,
Tomazzoni, Tomedi, Tondin,Tonidandel,
Tonini, Tonoli,Tonolli,Torboli,Toller,
Trentino

Trettel,Ungericht,Valenti,Valentini,Vallandro,
Vendemiatti


Vendrame ,Venere,Vescovi,Vettori, Viola,
Visintainer,Vitti,Voltolini,Weber,Zaffoni,
Zambaldi,Zambanini,Zana,Zandonai,Zanoni,
Zen

Zoller,Zortea,Zorzi,Zugliano.
Zotelli

Região Friuli-Venezia-Giulia

Bertogna,Bianchini,Bin,Boletig,Borghetto,Boz,
Brumat,Brumatti,Buffolin,Busut,Cabas
Caffar, Calligaris, Cavagna, Celva,Ceol,
Cescato,Cestari,Chiogna,Cian,Colugnati,
Contard,Danelut, Debiasio,Denipoti, Donda,
Ferisin,Glerean ,Gregorut ,Lozar,Manzutti ,
Marusic,Mian,Mortean,Muchiut,Mucchiut,Pascolat ,
Pasiani,Paulin ,Peresin,Petean,
Petenel,Pinat,Ponton,Pozzar,Quaiat, Rabassi,
Renko,Rusig,Rusin,Sancovich ,Saunit ,
Scabar,Scalet,Scarpin,Tinos,Tomazin,Toso,
Treu,Vettach,
Vinturin,Violin,Visintin,
Vittor,Vittori ,Zanolla, Zorzenon

11 comentários:

  1. No sei PERINI questa donna... trentina E SI PERINA!

    BACCIIIIIIIIII MILLE!

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  2. Minha família é de emigrantes de Tassullo, uma cidadezinha ao norte de Trento, Coradini, na itália Corradini.

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  3. Gostei Muito do Blog
    Minha nona chama-se Anna Laurentis. Sua mãe Angelica Laurentis nasceu em 1878 na região trentina gostaria muito de saber em que Comuna, Se puderem ajudar

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  4. steven romanha fontana22 de setembro de 2011 22:27

    Minha cidade foi a primeira colonia de trentinos No Brasil e Espirito Santo, sou de Santa Teresa

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  5. fiquei muito feliz ao ler tudo isso, meus antepassados (avô) materno nasceu em trentino no alto adige, e muito me orgulho disso, e fico muito comovido ao ler determinadas coisas com estas acima, o nome do meu avô era: Giusepe Giacomo Martinelli, veio ao brasil em 1875, morou e faleceu em Itu s.p. onde esta sepultado junto a sua querida esposa Enriqueta Quaglino, vinda de piemonte. obrigado geraldo portes de almeida

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  6. Waldete Cestari...Bonito...tua sensibilidade trentina nos comove!
    Evanilto Perini - Afapam www.familiaperini.com.br
    evaniltoperini.com.br

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  7. Meus bisavos vieram de Tyrol com sobrenome Piffer, viveram no interior de São Paulo Brasil.Gostaria de ter contato com os Piffer de Tyrol.
    meu email: mpivas@gmail.com

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  8. Meu avó pai da minha mãe chamava-se Jacomo Cadrobbi nascido no Tirol ,eu não o conheci mas ele morou muitos anos em São Paulo, era engenheiro e trabalhou na escola de artes e oficios .

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  9. Meu Bisavô chamava-se Francesco Floriano Panta, mas não vi nenhum sobrenome Panta aí, sei que é de origem Trentina. Alguém pode me confirmar?

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  10. Sou da Familia Lolata, descendente de Prospero Lolata, que chegou ao brasil em 04/06/1888 com 5 filhos, o Fortunato Lolata é meu Bisavo, estou a procura de informações da Familia
    lolata@lolata.com.br

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